Usamos muito a expressão “Sociedade da Informação”, mas de onde vem esse termo?
O conceito começou a circular no Japão nos anos 1960. Quem o desenvolveu com mais rigor e projeção internacional foi o sociólogo japonês Yoneji Masuda (1905–1995), no livro A sociedade da informação como sociedade pós-industrial, publicado em 1980. Para Masuda, a sociedade da informação era uma sociedade que cresce e se desenvolve ao redor da informação e que promove o florescimento geral da criatividade intelectual humana, em vez do aumento do consumo material.
Não é uma definição qualquer. É praticamente uma declaração de princípios.
O que vem a seguir provém do Capítulo 3 desse livro.
O computador substitui a máquina a vapor
A tecnologia que impulsionou a sociedade industrial foi a máquina a vapor. A sua função: substituir e amplificar o trabalho físico do homem. Na sociedade da informação, essa tecnologia é o computador, cuja função será substituir e amplificar o trabalho mental do homem.
Não é só uma mudança tecnológica. É uma mudança de civilização.
A força motriz já não é material
Para Masuda a produção de valores informacionais, e não de valores materiais, será a força motriz da formação e do desenvolvimento dessa sociedade. A economia já não gira em torno de fabricar coisas. Gira em torno de produzir, distribuir e usar informação e conhecimento.
A nova fronteira é o conhecimento
Na sociedade industrial, o mercado se expandiu conquistando novos territórios e aumentando o poder aquisitivo do consumidor. Na sociedade da informação, a fronteira do conhecimento torna-se o mercado potencial. As oportunidades já não estão em territórios físicos.
Uma economia diferente: a economia sinérgica
A economia industrial se baseia na divisão do trabalho e na separação entre produção e consumo. A sociedade da informação propõe algo estruturalmente diferente: uma economia sinérgica, baseada na produção conjunta e na utilização compartilhada da informação.
Por que isso muda tudo? Porque a informação não se destrói quando é usada. Ela se acumula. Se compartilha. Se expande.
Um novo setor: o quaternário
Conhecemos os setores primário, secundário e terciário. Masuda acrescenta um quarto. As principais indústrias serão as indústrias intelectuais, cujo núcleo serão as indústrias do conhecimento.
A fábrica deixa de ser o símbolo
Na sociedade industrial, a fábrica foi o símbolo social: o centro de produção de bens materiais. Na sociedade da informação, esse lugar é ocupado pela unidade produtora de informação, uma infraestrutura pública de bancos de dados e redes de informação.
Democracia participativa
O sistema político também muda. A democracia parlamentar dá lugar, segundo Masuda, a uma democracia participativa: política de participação cidadã, administração autônoma, acordo, sinergia, respeito às minorias.
O objetivo já não é o bem-estar material
A sociedade industrial persegue o Bem-Estar Nacional Bruto (BNB). A sociedade da informação perseguirá a Satisfação Nacional Bruta (SNB): que todas as pessoas possam projetar e realizar seus próprios valores, viver uma vida mais digna.
O espírito: globalismo e simbiose
O espírito da sociedade da informação será o globalismo: uma simbiose em que o ser humano e a natureza possam viver juntos, em harmonia. Algo que, eticamente, implicará autodisciplina e contribuição social.
Masuda escreveu tudo isso em 1980m antes da internet como a conhecemos, do Google ou da inteligência artificial atual.
O que vc acha, vivemos na sociedade que Masuda imaginou, ou em outra coisa?
MASUDA, Yoneji. A sociedade da informação como sociedade pós-industrial. Rio de Janeiro: Rio; Embratel, 1980.