Bibliotecas, Documentação e Edição: o que há por trás de um vídeo de 7 minutos como “El Tesoro de la Biblioteca de Extremadura”?
Bibliotecas, Documentação e Edição: o que há por trás de um vídeo de 7 minutos como “El Tesoro de la Biblioteca de Extremadura”?

Bibliotecas, Documentação e Edição: o que há por trás de um vídeo de 7 minutos como “El Tesoro de la Biblioteca de Extremadura”?

Tenho um canal de Youtube (https://youtube.com/enriquemuriel) que aprecio bastante. Não sou profissional, mas procuro publicar alguns vídeos sobre temáticas que me interessam e eventos onde participo.

Produzir um vídeo pode parecer simples quando o vemos pronto, mas por trás de uns poucos minutos de imagens existe um longo caminho de pesquisa, gravação, edição e decisões criativas. Neste post, compartilho de forma geral os bastidores de como produzi o vídeo sobre a maravilhosa história da Biblioteca de Barcarrota, intitulado El Tesoro de la Biblioteca de Extremadura, um dos meus vídeos favoritos, um projeto que une história, censura, memória e… bibliotecas.

1. Acesso, documentação e entrevistas

Tudo começou com a minha supervisora de pós-doc, que tinha um contato na Biblioteca de Extremadura (em Badajoz, Espanha). Depois de um pedido de permissão formal por e-mail, e com o aval do órgão responsável pela biblioteca, recebemos a confirmação e marcamos um dia para as gravações.

Passei de duas a três horas conversando com bibliotecários e técnicos da instituição e depois grabando no local. Mas antes dessa conversa está a primeira etapa de documentação, para preparar um conjunto de perguntas e assuntos, embora no fluir da conversa sempre aparecem outros e a gente precisa estar pronta para explorá-los. Tudo foi gravado com um único dispositivo, usando câmera e microfones. Por escolha dos colegas preferiram não aparecer no vídeo, que era minha intenção inicial, pelo que tive que trocar para eu falar na câmera. Isso sim, suas falas e conhecimentos foram essenciais para construir a narrativa.

2. Transformando conversa em roteiro

As gravações de áudio foram transcritas com o Whisper 2, uma ferramenta de inteligência artificial que transforma áudio em texto. Esses textos serviram como base para o roteiro, que foi estruturado com o auxílio de outra IA, ajudando, por exemplo, a dividir o vídeo em partes com mais ritmo e fluidez.

O roteiro é a peça mais complexa de criar, vários lugares e histórias interessantes ficaram de fora para que o vídeo tivesse um resultado mais sólido e direto ao ponto.

3. Reunindo imagens e referências

Além das conversas com os bibliotecários, tomei imagens da biblioteca, da cidade e de elementos visuais para ilustrar o vídeo, tanto esse dia quanto outros dias que sai a passear. Também:

  • Gravei atores para representar certas cenas
  • Pesquisei no jornal local sobre o descobrimento da Biblioteca de Barcarrota (aqui tem uma segunda etapa de documentação junto com o ponto seguinte)
  • Busquei imagens históricas e artísticas na Biblioteca Nacional da Espanha e no Museu do Prado
  • Usei o Google Earth Studio para mostrar uma vista aérea da Alcazaba
  • Fiz capturas de tela e vídeos de sites mencionados no vídeo

4. Recursos e ferramentas digitais

Para enriquecer a experiência visual e sonora:

  • Criei um livro virtual usando o FlipHTML5
  • Usei recursos audiovisuais do repositório Ciconia
  • Completei com imagens e sons do Pixabay
  • Entrei em contato novamente com a Biblioteca para solicitar materiais de apoio

5. Edição e legendas

A edição do vídeo passou por várias versões e revisões até chegar ao resultado final. As legendas em espanhol foram geradas também com o Whisper 2, e depois traduzidas para o português usando o Subtitles Translator. Em ambas as línguas, houve uma revisão manual posterior para filtrar erros.

Para o YouTube, criei duas miniaturas diferentes com o Canva e testei qual teria melhor desempenho.

6. O que ficou de fora

Algumas imagens e informações descobertas durante a pesquisa acabaram ficando de fora. Isso faz parte do processo: nem tudo entra no vídeo, especialmente quando queremos manter a narrativa ágil e envolvente. Várias tomadas ótimas de corredores, histórias, livros e outros detalhes visuais precisaram ser cortadas da versão final para manter o ritmo.

7. Compartilhar

E agora vem talvez a parte mais difícil: fazer com que as pessoas assistam ao vídeo. Para isso, é preciso criar versões mais curtas para publicar nas mídias sociais, que despertem o interesse e levem o público até o canal.

Vídeos com esse perfil, educativos, históricos, com tom documental, raramente são promovidos pelo YouTube. Nem mesmo quem segue o canal recebe notificação ou vê o vídeo na sua timeline.

Esses trechos curtos são então compartilhados em Facebook, Instagram, Bluesky e Mastodon. Mas nada garante o alcance: a maioria das pessoas só assiste ao que aparece diretamente na rede onde estão. Poucos clicam para sair de uma plataforma e ir até o YouTube.

Uma estatística, em especial, sempre me assusta: nos reels do Instagram, o tal do “engajamento” se mede nos primeiros 3 segundos. É isso mesmo, você tem três segundos para convencer alguém a continuar assistindo (e, ainda assim, muitas vezes a pessoa nem vê o vídeo todo, só mais alguns segundos). Nossa atenção, definitivamente, está em crise.

Conclusão

Há muito trabalho por trás de um vídeo curto de apenas 7 minutos, especialmente nas etapas de documentação, criação do roteiro, que muda várias vezes no processo todo, e edição. Isto é, uma mistura de trabalhos de bibliotecários/documentalistas e profissionais de comunicação que requer uma atualização permanente, a gente está sempre em fase beta 😉

Fica aqui a minha admiração e respeito pelos profissionais que vivem desse ofício tão complexo e dedicado.

Espero que tenham gostado do vídeo, foi feito com muito carinho desde España e Brasil.

Saúde!

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