Entrevista à Revista PerCursos sobre informação, ética e tecnologia.

Capa Revista PerCursosNuma entrevista concedida à revista PerCursos (v.17, n.34) em outubro de 2016, falamos, entre outras coisas, sobre a censura, a ética nos algoritmos e a necessidade da competência informacional como ferramenta para viver na nossa sociedade da informação, onde as notícias falsas, preconceitos e os interesses da mídia impregnam as informações que acessamos diariamente. Segue abaixo a entrevista na íntegra.

PerCursos: Atualmente, as tecnologias influenciam substancialmente na forma de acesso e apropriação da informação por parte dos indivíduos. No caso da mídia tradicional, observamos fontes de informação, como a Internet, Televisão e Rádio, as quais, muitas vezes, têm efeito contrário: ao invés de informar, elas “desinformam”. O que é necessário para se faça uma boa escolha das fontes de informação?

Se falarmos de informação científica, existem muitas instituições e profissionais encarregados de pesquisar, gerenciar, compartilhar e publicar este tipo de informação para a área que precisarmos. No âmbito da ciência, a informação passa pelo filtro da comunicação científica, que ajuda a identificar informações erradas, com metodologias incorretas ou incompletas, entre outros, mediante a revisão por pares quando submetemos um artigo a uma revista.

No caso da informação jornalística ou geral, muda um pouco. A influência das grandes mídias na população é maior, e geralmente atrás das grandes companhias existem fortes interesses econômicos privados. Manuel Castells em “O Poder da Comunicação” trata alguns dos problemas da mídia e o poder que exerce sobre a população. Com a internet, mudou a comunicação unidirecional dos jornais ou os noticiários da TV para uma comunicação em que o usuário também participa e interatua com a informação, no que agora se denomina segunda tela.

Por um lado, é uma boa notícia, por outro, sem a formação mínima necessária, as informações acessadas não serão de muita utilidade se a população não tem as competências para diferenciar entre informações objetivas e subjetivas.

Não devemos c que atrás das fontes de informação, científicas ou periodistas, estão os humanos. Não podemos exigir que os cientistas ou jornalistas sejam 100% éticos se a sociedade não é, porque como acontece com os políticos, eles sãos simplesmente um reflexo da sociedade; se a sociedade é corru[p]ta, também veremos corrupção nas informações ou nas fontes em que se encontram.

Neste sentido, ter uma boa competência informacional é fundamental para reduzir, na medida do possível, a chance de sermos manipulados ou enganados.

 

PerCursos: Ao pensar mais especificamente na Internet e na sua amplitude e abrangência, ficamos sujeitos a algum tipo de censura, ocultação ou manipulação de informação quando obtemos resultados de uma determinada busca?

O buscador quase onipresente nas buscas dos usuários no mundo inteiro, Google, oferece resultados conforme os nossos interesses, ou melhor, segundo os interesses que a corporação estadunidense considera que são os interesses dos seus usuários, porque eles fazem um perfil muito completo de cada um de nós. Há uns anos, quando o buscador operava na China, fiz um pequeno teste procurando “Praça Tiannamen” no Google Imagens dos EUA, Espanha, França, Itália e China (e ampliei um tempo depois em: “Las principales formas de censura en internet“. Os resultados dos quatro primeiros países eram parecidos: a icônica imagem de um homem de calças pretas e camisa branca, com uma maleta e uma sacola nas mãos parado frente a um fila de tanques de guerra. A imagem é um ícone mundial da resistência contra o poder. Quando se procurou o mesmo termo na versão chinesa do buscador, apenas apareciam imagens da praça na atualidade, sem aparecer nenhuma imagem relacionada com a forte repressão acontecida nesse lugar. Os resultados estavam “filtrados”.

Hoje, o Google não opera mais na China, mas sua forma de atuar continua sendo a mesma. Por exemplo, Google Maps muda as fronteiras dependendo de onde o acessemos (2, http://www.popsci.com/does-google-create-worlds-borders ). Já existem algumas vozes que consideram que deveria existir um motor de busca público que garanta que os resultados apresentados não apresentam manipulação, ocultação e nenhum tipo de censura. Poderíamos ampliar este raciocínio para a criação de um organismo público internacional para a preservação dos conteúdos na web.

Seja como for, o papel do profissional da informação e da competência informacional deve ser protagonista para orientar os usuários nestas e em outras questões.

Google, oferece resultados conforme os nossos interesses, ou melhor, segundo os interesses que a corporação estadunidense considera que são os interesses dos seus usuários.

 

PerCursos: Com relação às mídias sociais, como Facebook e Youtube, por exemplo, quais os principais problemas observados na questão referente ao compartilhamento de materiais e aos direitos autorais?

O principal problema que existe com os direitos autorais é que as pessoas não conhecem nem, geralmente, tem interesse em conhecê-los. Uma pergunta clássica quando pesquisamos em algum trabalho sobre o assunto é: “O que precisamos fazer para obter os direitos de autor sobre uma obra que criamos?”. Poucas pessoas sabem que os direitos de autor são adquiridos no mesmo momento da criação, não é preciso nenhum requisito formal. Isto é importante, pois se alguém tiver dúvidas se um trabalho de aula, por exemplo, tem direitos de autor, a resposta é sim, e os direitos são do aluno, portanto, em linhas gerais, podemos pensar que todas as fotos que usamos de internet, memes, vídeos, tudo, por efeito, está protegido. Se os usuários e os profissionais da informação se preocupassem um pouco mais com direitos autorais, conseguiríamos mudar uma legislação que não atende às necessidades da sociedade conectada e mais pessoas compartilhariam suas obras com licenças do tipo Creative Commons.

 

PerCursos: Como fica a questão da Lei dos Direitos Autorais: as redes sociais seguem a lei vigente do seu país ou do país onde foi produzida a informação que a rede social compartilhará?

As leis de direitos autorais, embora tenham como base acordos e convênios internacionais, são leis nacionais. Em princípio, cada empresa e cada pessoa deve cumprir a lei do país onde se encontre. No nosso caso, a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998 foi criada meses antes da fundação do buscador de Google. É fácil imaginar que uma lei da era pré-internet não está muito adaptada às necessidades de nossa sociedade da informação.

 

PerCursos: Quais as implicações éticas que envolvem questões como a vigilância tecnológica e o rastreamento de nossas atividades na rede?

A vigilância tecnológica é um termo aplicado principalmente a empresas ou entidades, para conhecer a evolução do mercado, onde investir, quais são as novas pesquisas ou que novos produtos apresentam empresas do mesmo setor, entre outros. Em troca, a privacidade é um direito das pessoas. Do meu ponto de vista, é uma tarefa dos profissionais da informação orientar os usuários a viver on-line, ensinando vantagens e desvantagens de aplicativos, tecnologias e comportamentos na rede, para que as pessoas possam decidir o que fazer com conhecimento. É difícil de compreender as pessoas que afirmam não se importar com o direito à privacidade porque não têm nada a esconder. Como diria Edward Snowden (1), seria como dizer que não se importam com a liberdade de expressão porque não têm nada a dizer. A privacidade é um direito que deve ser respeitado e é importante que os usuários saibam como fazé-lo. (1, https://www.theguardian.com/us-news/video/2015/may/22/edward-snowden-rights-to-privacy-video)

 

PerCursos: A internet atual tem convergido para Internet das Coisas e Web Semântica. Este novo paradigma tem que impacto nas pesquisas que virão em CI e na vida das pessoas?

A Internet das Coisas será a próxima revolução segundo os especialistas, e terá um melhor impacto na nossas vidas se conseguirmos antes debater algumas questões éticas atrás da hiperconexão de objetos que interagem entre eles e conosco. O avanço é indubitável, mais devemos estabelecer com clareza como se resolverão os dilemas que terão os dispositivos quando pensarem por eles mesmos (coisa que já fazem). Um exemplo é o carro autônomo, sem motorista. Devemos pensar como desejamos que ele escolha frente a um acidente: ir para a esquerda e atropelar várias pessoas ou para direita e arriscar a vida do motorista? Por outro lado, temos que continuar pensando na importância da privacidade e na segurança. Aqueles com aplicativos no telefone ou relógios inteligentes que registram todo o exercício feito durante o dia, imagino que não concordariam se a companhia que compila toda a informação compartilhasse seus dados com as seguradoras médicos, que poderiam rejeitá-lo se fizesse mais exercícios ou menos do que eles consideram o padrão, ou com bancos, que poderiam calcular o risco de dar um empréstimo.

A ciência e a tecnologia oferecem avanços maravilhosos que melhoram nossas vidas, e devemos tentar garantir que seja assim e não nos convertermos em simples produtos que geram dados para que outras empresas se aproveitem, e sem ter nosso consentimento informado.

 

PerCursos: Um dos aspectos da cultura digital é a emergência do e-book. Quais os conflitos atuais no que se refere ao direito dos autores? São os mesmos direitos de um livro em papel? Por exemplo, o e-book pode ser emprestado pelas bibliotecas?

Do meu ponto de vista, é um assunto muito relevante para os profissionais da informação. Quando compramos um livro em papel, adquirimos uma série de direitos. Podemos emprestá-lo, lê-lo as vezes que quisermos e onde quisermos, assim como vendê-lo, é uma propriedade material. Entretanto, quando compramos um e-book não compramos um arquivo epub ou pdf, compramos uma licença. As licenças são um tipo de contrato que oferecem acesso a uma obra e apontam o que podemos fazer com ela. Por exemplo, geralmente as licenças proíbem a venda ou empréstimo de nosso livro legalmente adquirido a terceiros. Se comprarmos o clássico 1984, de George Orwell em papel, podemos emprestá-lo a várias pessoas, e um dia, se quisermos, vendê-lo. Com o mesmo livro adquirido em formato digital, não. Além disso, as licenças podem limitar desde onde acessamos a uma obra, como acontece com as grandes bases de dados do portal CAPES: precisamos estar dentro do campus da universidade (ou acessar mediante VPN) para ter acesso às bases de dados; se estivermos fora ou não tivermos configurado corretamente o VPN, então não podemos acessar.

…quando compramos um e-book não compramos um arquivo epub ou pdf, compramos uma licença.

 

PerCursos: Comente sobre a emergência de movimentos como Copyleft ou Creative Commons em contraposição ao Copyright.

O movimento Copyleft não é contrário aos direitos autorais, ou pelo menos não todo o movimento (não devemos esquecer que onde existe poder, existe um contra poder). Embora seja um trocadilho, copyleft: cópia esquerda, como o contrário de copyright: cópia direita, está baseado nos direitos autorais; tanto é assim que melhoram os direitos de autor, para que os criadores e usuários tenham controle sobre nossas obras e possamos criar, utilizar e compartilhá-las segundo as condições que decidamos. Neste ponto, poderíamos falar sobre as licenças GNU em computação, fundamentais no software livre, e no âmbito da educação, das licenças Creative Commons, que apresentam seis licenças das quais duas são consideradas como livres e poderiam se encaixar dentro do conceito de copyleft (CC by e CC by-sa).

O Acesso Aberto é um movimento fundamental para o avanço da Ciência que fomenta o acesso e compartilhamento de informação científica. Este movimento se baseia nas licenças Creative Commons e, sem elas, seria muito difícil que pudesse existir.

A meu ver, os professores e alunos deveriam compartilhar suas obras sempre com uma licença Creative Commons. Para isso, simplesmente temos que entrar no site do projeto (https://creativecommons.org/choose/?lang=pt ), escolher a licença que quisermos, e escrever na nossa obra qual é a licença CC utilizada e um link para que se alguém não souber, possa se aprofundar mais no que permite ou não a licença. É uma forma simples e de graça de liberar e fomentar a educação para fazer do mundo um lugar um pouco melhor.

 

Para citar esta entrevista (recomendo ir à fonte original):

MURIEL-TORRADO, Enrique. Informação, ética e tecnologia. Uma entrevista com o Professor Enrique Muriel-Torrado. [Entrevista concedida em 30 de setembro de 2016]. Revista PerCursos. Florianópolis, v. 17, n.34, p. 134 – 140, maio/ago. 2016. Entrevistadores: Daniella Camara Pizarro, Divino Ignácio Ribeiro Júnior e José Eduardo Santarem Segundo.

DOI: http://dx.doi.org/10.5965/1984724617342016134

Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Publicación del libro: “Competência em informação: Políticas Públicas, teoria e prática”

Libro "Competência em Informação"
Libro “Competência em Informação”

Durante el pasado “XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação”, ENANCIB 2016 (Salvador de Bahía, 20-25 de noviembre), se lanzó el libro “Competência em informação: Políticas Públicas, teoria e prática“, organizado por Fernanda Maria Melo Alves, Elisa Cristina Delfini Corrêa (Facebook) y Elaine Rosangela de Oliveira Lucas (Facebook).

Lo primero, y menos importante, decir que es una edición muy cuidada, con una cubierta maravillosa. Sobre las contribuciones de los autores, recomiendo su lectura, pues participan bastantes profesionales con temáticas y perspectivas diferentes y complementarias, con interesantes puntos de vista que enriquecen el debate sobre la Competencia en Información. Este libro posee capítulos en portugués, español e inglés, con un total de 457 páginas.

Es la primera vez que participo en un libro editado en Brasil. En este caso se trata de un capítulo, en español, junto a Juan-Carlos Fernández-Molina, sobre “Hábitos en el uso de la información de los estudiantes universitarios: el caso de la Universidad de Extremadura“, donde se identifican las fuentes de información emplean los universitarios, el uso de obras en papel o digitales, lugares preferidos de estudio, así como algunas de las competencias que poseen o en las que han recibido algún tipo de formación. Los resultados nos llevan a pensar que todavía tenemos mucho trabajo y un largo camino por recorrer, formando a los alumnos sobre el uso de material en línea o adaptando mejor los servicios de la biblioteca a unos usuarios que los perciben como complicados, entre otros.

Actualmente está a la venta en papel a través de la editorial de la UFBA (EDUFBA) por 50 reales (aprox. 14 euros). Más información en: http://www.edufba.ufba.br/2016/11/competencia-em-informacao-politicas-publicas-teoria-e-pratica/

[Cuando esté libremente disponible en formato PDF lo subiré aquí.]

Los permisos que le das a la app de Facebook en tu teléfono

La app de Facebook para Android requiere bastantes permisos. Cuando pulsamos sobre aceptar, cedemos nuestro consentimiento para que Facebook accese a los siguientes datos:

facebook-permisos
Permisos de Facebook
  • Dispositivo que tenemos e histórico de aplicaciones. Marca y modelo del teléfono, todas las app que han pasado por él o por cualquier otro teléfono en el que hayas tenido tu cuenta de Google, páginas que has visitado desde el navegador de tu teléfono, favoritos, etc.
  • Identidad. La app puede usar tu cuenta o la información de tu perfil en tu dispositivo.
  • Calendario. ¿Tienes eventos públicos o privados?  Podrán leer los eventos de tu calendario e información confidencial, así como “agregar o modificar eventos del calendario y enviar mensajes por correo electrónico a los invitados sin que los propietarios lo sepan”.
  • Contactos. Van a conocer todos los contactos que tienes en el teléfono, incluyendo los que ni siquiera recuerdas, aquel tipo con el que contrataste una mudanza o el taxista que te lleva de vez en cuando.
  • Localización. ¿No tienes activado el GPS? Además de la ubicación por GPS, también está la aproximada (según la red), la precisa (GPS y red) y le concedes acceso a “otros comandos del proveedor de ubicación”.
  • SMS. Te preguntarás: ¿para qué quieren leer mis sms? Podrán leer, recibir, editar o enviar tanto SMS como MMS.
  • Fotos, archivos y documentos multimedia.
  • Cámara. Tomar fotos y grabar vídeos.
  • Micrófono. Grabar audios.
  • Información sobre conexiones wifi. Nombre de las red y los dispositivos conectados.
  • Identificador del teléfono y llamadas. Conocer el identificador de tu teléfono, cada dispositivo tiene un id diferente, y saber si hay llamadas en curso y con qué número se estableció la llamada.
  • Otros. Consultar tu actividad en algunas redes sociales, escribir o acceder a las actualizaciones de tus contactos.

Algunos de estos permisos son básicos para que la app funcione, será complicado subir una foto si no damos acceso a la cámara, por ejemplo, pero otros, no parecen necesarios, como la capacidad de acceder a nuestros SMS.

Recuerda que Facebook no es gratis, para acceder a la red social les pagas con tus datos y cuanto más datos y más privados, mejor será el perfil que la red social haga sobre ti. Cuanto mejores son los perfiles de sus usuarios, más dinero obtienen, por ejemplo mediante publicidad, pues llevan a cabo una segmentación extraordinaria. Saben de nosotros, casi más que nosotros mismos.

Pero esto no es todo lo que Facebook sabe de ti, con esto no tenemos ni para empezar. Todavía no hemos comenzado a compartir nuestros estados, interactuar con nuestros contactos, ni subido fotos, ni nada, son simplemente los permisos de la app por defecto para instalarla en el teléfono. Sugiero leer “98 personal data points that Facebook uses to target ads to you” para hacerse una idea más aproximada de cómo nos ve red social.

Piensa en el valor de esta información para terceros, el banco donde quieres solicitar un préstamos, el seguro de coche que deseas contratar, el casero de tu apartamento, el doctor que te hace un chequeo antes de comenzar un nuevo empleo, la futura empresa donde te gustaría trabajar…

Más información:

Ayuda de Google: https://support.google.com/googleplay/answer/6014972?hl=es-419

É possível exibir um filme na sala de aula?

Na disciplina (CIN7202) Sociedade da Informação da Graduação em Ciência da Informação da UFSC, assistimos a um filme, um documentário sobre a vida de Aaron Swarz, sobre o qual já falamos no blog e que você pode assistir aqui.

Aaron Swartz
Aaron Swartz. Foto: Wikipédia, CC by-sa 2.0

Durante o documentário os alunos tinham que anotar coisas que não soubessem, pesquisar um pouco mais sobre algumas das pessoas que apareciam, em resumo, aprofundar um pouco mais para conhecer o contexto e a justificativa para compreender os motivos da atuação de Aaron Swartz, e conhecer um pouco melhor a Sociedade de Informação e o ativismo.

Ao finalizar o filme, além das questões que tinham que procurar, perguntei: é permitido o que fizemos hoje aqui? é legal no Brasil exibir um filme como esse que assistimos hoje na aula?

A turma, depois de pesquisar o que dizia a legislação, decidiu perguntar a alguém que soubesse sobre a máteria e enviaram um e-mail a MPLC Brasil (Motion Picture Licensing Corporation), que se apresentam no seu site como “parte de uma rede de empresas de licenciamento de exibições de obras cinematográficas que atua na América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul e está associada à MPLC – International”. Uma das alunas, Bárbara Balbis, foi a responsável de contatar com a companhia, perguntando se era possível a reprodução de filmes em sala de aula.

Segue a resposta da companhia:

Olá Bárbara, bom dia.
[…]
Somos uma rede internacional existente em mais de 20 países que outorga autorizações de locais para direitos audiovisuais há 25 anos e representamos mais de 400 distribuidores. Estamos no Brasil desde 2005 e mais de 800 lugares já possuem a Certificação de Locais para a exibição de obras audiovisuais.

Queremos ajudá-los a organizar este tipo de atividade para o seu projeto. É uma atividade fácil e agradável! Possuímos 2 tipos de autorização: a Guarda-Chuva (local específico) e a Evento Público (vários locais ou local específico).

A autorização Guarda-Chuva MPLC Brasil “Cine Cultural” é válida por um ano e outorga um lugar específico (uma sala ou um auditório), dando direito a exibições de filmes autorizados pelos nossos distribuidores associados (Warner, Sony, Disney, Fox, Paramount, Universal, UIP, entre outros)*, sem cobrança de entrada. Sendo assim, não é necessária uma autorização que inclua a exibição de cada título. Para exibir, basta que o filme tenha pelo menos 3 meses de lançamento no mercado de vídeo doméstico. A autorização Guarda-Chuva da MPLC Brasil tem um baixo custo. É importante lembrar que adquirindo a autorização estará cumprindo o artigo 29 da Lei 9.610/1998, que diz ser necessária a obtenção de autorização prévia do detentor dos direitos do filme.
No caso da autorização Evento Público, é necessária a prévia consulta ao distribuidor de cada título e o valor é calculado de acordo com a quantidade de público esperado para cada exibição.

Respondendo a sua pergunta se é permitido por lei a exibição de filmes (nacionais ou internacionais) em sala de aula, toda exibição fora de casa ( conceito Home Entertainment) necessita de autorização dos detentores dos direitos para ocorrer. Nesse sentido, qualquer exibição complementar através de fonte exibidora como, DVD, BD, Streanming, VOD ( Net Now, SKY, Netflix), download legal e cópias digitais necessita de autorização e recolhimento dos direitos.

Ao adquirir uma obra nesses formatos, o detentor somente permite a exibição sem recolhimento de direitos ocorram dentro de uma residência, com o intuito de entreter os moradores e as exibições públicas, fora de casa, necessitam de uma autorização.

As condições para este tipo de autorização são:

– O serviço de exibições deverá ser inteiramente gratuito, não podendo ser cobrado pela entrada (ticket) ou acesso aos filmes/ sessões.
– A obra escolhida deverá pertencer a um distribuidor associado a MPLC (lista anexada).
– Nossas autorizações são destinadas ao uso de obras audiovisuais em DVD, Blu-ray, cópia digital original que foram comercializados para o mercado de vídeo doméstico (Home Entertainment) e VHS.
– Todos os títulos (filmes, shows, etc) deverão aguardar 3 meses após o seu lançamento comercial de compra ou locação para então serem exibidos publicamente.
– Se título for uma produção nacional, então sua disponibilidade deverá ser consultado a MPLC com antecedência.
– Obras Nacionais da SONY / COLUMBIA estão temporáriamente suspensas.

[…]

Segundo eles “toda exibição fora de casa ( conceito Home Entertainment) necessita de autorização dos detentores dos direitos para ocorrer“. Além disso é preciso cumprir uma série de condições: não ter fins comerciais, que sejam obras do catálogo que eles representam, etc.

O e-mail continua oferecendo dados sobre o procedimento de aquisição e solicitando os dados precisos para o cadastro e a lista de distribuidores associados, finalizando com uma educada despedida do comercial.

A resposta parece seguir a tendência atual da indústria cultural e do entretenimento, que para reproduzir um filme completo em sala de aula, temos que pagar independentemente dos fins educacionais. As associações arrecadadoras de direitos autorais do setor audiovisual, oferecem licenças individuais e guarda-chuvas para que os interessados em exibir filmes possam conseguir sua licença, logicamente, pagando.

Na verdade, a pergunta tinha truque. Assistimos a esse filme por ter uma licencia Creative Commons (Public Domain 1.0). Isto é, um filme que legalmente podemos fazer download, copiar, compartilhar ou assistir na aula sem problemas.

A legislação brasileira (lei 9.610) não ajuda muito aos professores, pois lendo as limitações e exceções (Capítulo IV, Das Limitações aos Direitos Autorais) é complexo saber se podemos passar um filme na aula ou não.

Da mesma forma que o movimento de Acesso Aberto luta pela liberação da informação científica e se serve das licenças Creative Commons, devemos lembrar que qualquer obra pode ser licenciada, como uma música ou também um filme. Este tipo de obras não oferecem tantos problemas como as que tem copyright, pois não vai ter problemas por exibir na sala de aula.

Compreendem agora a importância de licenciar nossas obras com licenças Creative Commons?

O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz [filme completo]

Aaron Swartz foi um programador e ativista estadunidense que lutava pela liberdade na internet e liberação do conhecimento. (Mais info na Wikipédia: Aaron Swartz). A história de sua vida é muito interessante e uma fonte de inspiração para os profissionais da informação numa sociedade cada vez mais tecnológica.

The internet's own boy. (Sundance festival poster)
The internet’s own boy. (Sundance festival poster)

A continuação o documentário completo”O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz” (The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz) que resume seu trabalho e seu posicionamento político e social.

Pode assistir aqui ou baixar de Archive.org (https://archive.org/details/TheInternetsOwnBoyTheStoryofAaronSwartzHD) em vários formatos.

Para ver legendas em português, faça click em cc.

No contexto da disciplina Sociedade da Informação, assistimos ao filme e fizemos uma listagem de alguns dos tópicos e personagens interessantes, sobre os quais sugiro pesquisar, para aprender como é nossa realidade, a atual sociedade da conexão desde o ponto de vista tecnológico, onde internet é uma ferramenta fundamental para aprender, fazer negócios, nos comunicar, desfrutar do lazer ou compartilhar informação.

Alguns dos tópicos de interesse:

  • Acesso Aberto (OA)
  • Conhecer para hackear
  • Copyleft
  • Copyright
  • Creative Commons
  • Cultura Livre
  • Domínio Público
  • Guerrilla Open Access Manifesto
  • Jimmie Wales
  • Lawrence Lessig
  • Não existe o posicionamento neutral
  • Open Library .net
  • RSS
  • Termos de uso e licenças
  • Tim Berners Lee
  • Watchdog
  • Wikileaks
  • ..

E você, gostou do filme? conhece outros filmes que possam ser de interesse para Sociedade da Informação?

Fonte da fotografia: Wikipédia, https://en.wikipedia.org/wiki/File:TOBSAS_poster.jpg

 

A Biblioteca Móvel (The Bookmobile) [vídeo]

Esta é a história de Storm Reyes, uma menina de 8 anos que trabalhava colhendo frutas nos campos do estado de Washington (EUA). Com condições de vida muito precárias,  lutar pela sua segurança era um costume e a esperança no futuro melhor, praticamente um luxo.

É uma história de superação, da importância de ter oportunidades e oferecê-las, é um bonito conto de uma menina e uma biblioteca itinerante.

Aproximar a cultura às pessoas sem importar quem ou onde é uma de nossas obrigações como profissionais da informação.

E você, já utilizou alguma vez este tipo de serviço?

Ciência da Informação… em Cartazes!

Às vezes escutamos que a C.I. (Ciência da Informação, Information Science em inglês) é uma área pouco conhecida. Para aportar nossa contribuição a sua popularização, os alunos da disciplina Introdução à Ciência da Informação (CIN7138) da UFSC, tinham uma tarefa: fazer um cartaz sobre nossa área.

A ferramenta recomendada foi Canva, um site simples de utilizar que oferece muita flexibilidade e possibilita criar cartazes de boa qualidade sem precisar de nenhum software adicional, nem conhecimentos sobre design  (é o mesmo utilizado na entrada do blog sobre Edward Snowden).

Entre todos os cartazes apresentados, fiz uma pequena seleção, dos que achei mais interessante para compartilhar. Todos eles tem um licença Creative Commons, vocês podem utilizá-los como quiserem, sempre que não tenham fins comerciais. Fiquem à vontade para compartilhar, compartilhar e compartilhar. 🙂

CI-Jônatas-Edison
Jônatas Edison
CI-Silvana-Ruthes-Cassias
Silvana Ruthes Cassias
CI-Thais-Camata
Thaís Camata
CI-PAtricia-Bertotti
Patrícia Bertotti
CI-Maria-Gabriela-Pereira
Maria Gabriela Pereira
CI-Fellipe-Matheus
Fellipe Matheus
CI-Ingrid-Cristina-Nascimento.png
Ingrid Cristina Nascimento
CI-Joceli-Padilha
Joceli Padilha

Muito obrigado a todos os alunos pela sua participação e parabéns pelos resultados!

E você, gostou dos cartazes? Tem algum outro que gostaria compartilhar?

Estudos Científicos e Mídia

O comediante John Oliver no seu conhecido show Last Week Tonight, fez uma crítica sobre como são apresentados os estudos científicos na mídia. Por uma parte temos a má Ciência, que seria aquela com uma metodologia duvidosa, a que infere resultados que não são correlacionados ou aquela onde os interesses dos patrocinadores podem influir sobre os resultados, por exemplo. Noutro lado temos a mídia, que as vezes pega um artigo e o descontextualiza de um jeito que já não importam mais os resultados, só o título que eles querem para dar uma notícia, procurando aqueles que são mais sensacionalistas, para chamar mais a atenção.

Como vemos são dois problemas diferenciados. A ciência pode ter problemas de veracidade na hora que a fonte de financiamento do estudo pode influir nos resultados. Para tentar solucionar o problema o melhor é procurar sempre a fonte original e olhar criticamente se a metodologia, objetivos, resultados e conclusões, assim como as mostras, são as adequadas.

Para o problema da mídia a solução parece mais complexa. Os titulares atraentes são mais importantes do que a verdade. El clickbait da tv, por exemplo, essa chamada de atenção de um estudo científico que afirma que tomar chá olhando para a estrela norte é bom para seu pâncreas, é mais difícil de evitar. A mídia tradicional, tv, rádio, ou internet não são só fontes de informação, as vezes podem funcionar também como poderosas fontes de desinformação.

O melhor para tentar evitar esses problemas: competência em informação.

[no vídeo pode colocar subtítulos em várias línguas]

E você, já viu algum estudo científicos desses “estranhos”?

Edward Snowden sobre la privacidad (infografía)

Respuesta de Edward Snowden, consultor tecnológico que trabajó para la CIA a todas aquellas personas que afirman que no les importa la privacidad:

“No defender la privacidad porque ‘no tienes nada que esconder’, es como no defender la libertad de expresión porque no tienes nada que decir

Edward-Snowden-Privacidad
Edward Snowden – Privacidad

Cuidemos y respetemos la privacidad.

Semana Acadêmica Biblioteconomia 2016

Entre os dias 11 e 15 de abril de 2016 a UFSC acolheu a II Semana Acadêmica de Biblioteconomia, que levava por título “Biblioteconomia Social: a Competência Informacional e a Mediação a Leitura“.

Em primeiro lugar gostaria de reconhecer o excelente trabalho de organização realizado pelos alunos da faculdade articulados através do seu Centro Acadêmico (CAB http://cabufsc.blogspot.com). Um exemplo tanto para os alunos, quanto para os professores, de que com esforço e interesse é possível conseguir. Parabéns. 🙂

No evento, fui convidado a ministrar um minicurso (workshop) sobre apresentações públicas, onde tentamos resolver dúvidas e mostrar algumas questões recorrentes e simples de resolver, e também falamos sobre a linguagem corporal, oral, entre outros.

Na noite de quinta-feira participei junto com a professora Elisa Delfini Correa (@elisadel) de uma mesa redonda onde falamos de mídias sociais e direitos autorais e apresentamos uma série de questões, nem sempre bem resolvidas, relacionadas com o copyright, compartilhamento de materiais na internet, etc. O evento foi coberto pela TV UFSC, incluindo uma pequena entrevista.

Na entrevista tentei responder algumas questões relacionadas à autoria das obras, enquanto a professora Elisa falou sobre a privacidade e o rastreio de nossas atividades na rede.

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II Semana Acadêmica de Biblioteconomia – Biblioteconomia Social: a Competência Informacional e a Mediação a Leitura

E você, participou do evento? O que você mais gostou?

Para saber mais:

Facebook do evento: https://www.facebook.com/semanaacademicabiblioufsc/