Entrevista à Revista PerCursos sobre informação, ética e tecnologia.

Capa Revista PerCursosNuma entrevista concedida à revista PerCursos (v.17, n.34) em outubro de 2016, falamos, entre outras coisas, sobre a censura, a ética nos algoritmos e a necessidade da competência informacional como ferramenta para viver na nossa sociedade da informação, onde as notícias falsas, preconceitos e os interesses da mídia impregnam as informações que acessamos diariamente. Segue abaixo a entrevista na íntegra.

PerCursos: Atualmente, as tecnologias influenciam substancialmente na forma de acesso e apropriação da informação por parte dos indivíduos. No caso da mídia tradicional, observamos fontes de informação, como a Internet, Televisão e Rádio, as quais, muitas vezes, têm efeito contrário: ao invés de informar, elas “desinformam”. O que é necessário para se faça uma boa escolha das fontes de informação?

Se falarmos de informação científica, existem muitas instituições e profissionais encarregados de pesquisar, gerenciar, compartilhar e publicar este tipo de informação para a área que precisarmos. No âmbito da ciência, a informação passa pelo filtro da comunicação científica, que ajuda a identificar informações erradas, com metodologias incorretas ou incompletas, entre outros, mediante a revisão por pares quando submetemos um artigo a uma revista.

No caso da informação jornalística ou geral, muda um pouco. A influência das grandes mídias na população é maior, e geralmente atrás das grandes companhias existem fortes interesses econômicos privados. Manuel Castells em “O Poder da Comunicação” trata alguns dos problemas da mídia e o poder que exerce sobre a população. Com a internet, mudou a comunicação unidirecional dos jornais ou os noticiários da TV para uma comunicação em que o usuário também participa e interatua com a informação, no que agora se denomina segunda tela.

Por um lado, é uma boa notícia, por outro, sem a formação mínima necessária, as informações acessadas não serão de muita utilidade se a população não tem as competências para diferenciar entre informações objetivas e subjetivas.

Não devemos c que atrás das fontes de informação, científicas ou periodistas, estão os humanos. Não podemos exigir que os cientistas ou jornalistas sejam 100% éticos se a sociedade não é, porque como acontece com os políticos, eles sãos simplesmente um reflexo da sociedade; se a sociedade é corru[p]ta, também veremos corrupção nas informações ou nas fontes em que se encontram.

Neste sentido, ter uma boa competência informacional é fundamental para reduzir, na medida do possível, a chance de sermos manipulados ou enganados.

 

PerCursos: Ao pensar mais especificamente na Internet e na sua amplitude e abrangência, ficamos sujeitos a algum tipo de censura, ocultação ou manipulação de informação quando obtemos resultados de uma determinada busca?

O buscador quase onipresente nas buscas dos usuários no mundo inteiro, Google, oferece resultados conforme os nossos interesses, ou melhor, segundo os interesses que a corporação estadunidense considera que são os interesses dos seus usuários, porque eles fazem um perfil muito completo de cada um de nós. Há uns anos, quando o buscador operava na China, fiz um pequeno teste procurando “Praça Tiannamen” no Google Imagens dos EUA, Espanha, França, Itália e China (e ampliei um tempo depois em: “Las principales formas de censura en internet“. Os resultados dos quatro primeiros países eram parecidos: a icônica imagem de um homem de calças pretas e camisa branca, com uma maleta e uma sacola nas mãos parado frente a um fila de tanques de guerra. A imagem é um ícone mundial da resistência contra o poder. Quando se procurou o mesmo termo na versão chinesa do buscador, apenas apareciam imagens da praça na atualidade, sem aparecer nenhuma imagem relacionada com a forte repressão acontecida nesse lugar. Os resultados estavam “filtrados”.

Hoje, o Google não opera mais na China, mas sua forma de atuar continua sendo a mesma. Por exemplo, Google Maps muda as fronteiras dependendo de onde o acessemos (2, http://www.popsci.com/does-google-create-worlds-borders ). Já existem algumas vozes que consideram que deveria existir um motor de busca público que garanta que os resultados apresentados não apresentam manipulação, ocultação e nenhum tipo de censura. Poderíamos ampliar este raciocínio para a criação de um organismo público internacional para a preservação dos conteúdos na web.

Seja como for, o papel do profissional da informação e da competência informacional deve ser protagonista para orientar os usuários nestas e em outras questões.

Google, oferece resultados conforme os nossos interesses, ou melhor, segundo os interesses que a corporação estadunidense considera que são os interesses dos seus usuários.

 

PerCursos: Com relação às mídias sociais, como Facebook e Youtube, por exemplo, quais os principais problemas observados na questão referente ao compartilhamento de materiais e aos direitos autorais?

O principal problema que existe com os direitos autorais é que as pessoas não conhecem nem, geralmente, tem interesse em conhecê-los. Uma pergunta clássica quando pesquisamos em algum trabalho sobre o assunto é: “O que precisamos fazer para obter os direitos de autor sobre uma obra que criamos?”. Poucas pessoas sabem que os direitos de autor são adquiridos no mesmo momento da criação, não é preciso nenhum requisito formal. Isto é importante, pois se alguém tiver dúvidas se um trabalho de aula, por exemplo, tem direitos de autor, a resposta é sim, e os direitos são do aluno, portanto, em linhas gerais, podemos pensar que todas as fotos que usamos de internet, memes, vídeos, tudo, por efeito, está protegido. Se os usuários e os profissionais da informação se preocupassem um pouco mais com direitos autorais, conseguiríamos mudar uma legislação que não atende às necessidades da sociedade conectada e mais pessoas compartilhariam suas obras com licenças do tipo Creative Commons.

 

PerCursos: Como fica a questão da Lei dos Direitos Autorais: as redes sociais seguem a lei vigente do seu país ou do país onde foi produzida a informação que a rede social compartilhará?

As leis de direitos autorais, embora tenham como base acordos e convênios internacionais, são leis nacionais. Em princípio, cada empresa e cada pessoa deve cumprir a lei do país onde se encontre. No nosso caso, a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998 foi criada meses antes da fundação do buscador de Google. É fácil imaginar que uma lei da era pré-internet não está muito adaptada às necessidades de nossa sociedade da informação.

 

PerCursos: Quais as implicações éticas que envolvem questões como a vigilância tecnológica e o rastreamento de nossas atividades na rede?

A vigilância tecnológica é um termo aplicado principalmente a empresas ou entidades, para conhecer a evolução do mercado, onde investir, quais são as novas pesquisas ou que novos produtos apresentam empresas do mesmo setor, entre outros. Em troca, a privacidade é um direito das pessoas. Do meu ponto de vista, é uma tarefa dos profissionais da informação orientar os usuários a viver on-line, ensinando vantagens e desvantagens de aplicativos, tecnologias e comportamentos na rede, para que as pessoas possam decidir o que fazer com conhecimento. É difícil de compreender as pessoas que afirmam não se importar com o direito à privacidade porque não têm nada a esconder. Como diria Edward Snowden (1), seria como dizer que não se importam com a liberdade de expressão porque não têm nada a dizer. A privacidade é um direito que deve ser respeitado e é importante que os usuários saibam como fazé-lo. (1, https://www.theguardian.com/us-news/video/2015/may/22/edward-snowden-rights-to-privacy-video)

 

PerCursos: A internet atual tem convergido para Internet das Coisas e Web Semântica. Este novo paradigma tem que impacto nas pesquisas que virão em CI e na vida das pessoas?

A Internet das Coisas será a próxima revolução segundo os especialistas, e terá um melhor impacto na nossas vidas se conseguirmos antes debater algumas questões éticas atrás da hiperconexão de objetos que interagem entre eles e conosco. O avanço é indubitável, mais devemos estabelecer com clareza como se resolverão os dilemas que terão os dispositivos quando pensarem por eles mesmos (coisa que já fazem). Um exemplo é o carro autônomo, sem motorista. Devemos pensar como desejamos que ele escolha frente a um acidente: ir para a esquerda e atropelar várias pessoas ou para direita e arriscar a vida do motorista? Por outro lado, temos que continuar pensando na importância da privacidade e na segurança. Aqueles com aplicativos no telefone ou relógios inteligentes que registram todo o exercício feito durante o dia, imagino que não concordariam se a companhia que compila toda a informação compartilhasse seus dados com as seguradoras médicos, que poderiam rejeitá-lo se fizesse mais exercícios ou menos do que eles consideram o padrão, ou com bancos, que poderiam calcular o risco de dar um empréstimo.

A ciência e a tecnologia oferecem avanços maravilhosos que melhoram nossas vidas, e devemos tentar garantir que seja assim e não nos convertermos em simples produtos que geram dados para que outras empresas se aproveitem, e sem ter nosso consentimento informado.

 

PerCursos: Um dos aspectos da cultura digital é a emergência do e-book. Quais os conflitos atuais no que se refere ao direito dos autores? São os mesmos direitos de um livro em papel? Por exemplo, o e-book pode ser emprestado pelas bibliotecas?

Do meu ponto de vista, é um assunto muito relevante para os profissionais da informação. Quando compramos um livro em papel, adquirimos uma série de direitos. Podemos emprestá-lo, lê-lo as vezes que quisermos e onde quisermos, assim como vendê-lo, é uma propriedade material. Entretanto, quando compramos um e-book não compramos um arquivo epub ou pdf, compramos uma licença. As licenças são um tipo de contrato que oferecem acesso a uma obra e apontam o que podemos fazer com ela. Por exemplo, geralmente as licenças proíbem a venda ou empréstimo de nosso livro legalmente adquirido a terceiros. Se comprarmos o clássico 1984, de George Orwell em papel, podemos emprestá-lo a várias pessoas, e um dia, se quisermos, vendê-lo. Com o mesmo livro adquirido em formato digital, não. Além disso, as licenças podem limitar desde onde acessamos a uma obra, como acontece com as grandes bases de dados do portal CAPES: precisamos estar dentro do campus da universidade (ou acessar mediante VPN) para ter acesso às bases de dados; se estivermos fora ou não tivermos configurado corretamente o VPN, então não podemos acessar.

…quando compramos um e-book não compramos um arquivo epub ou pdf, compramos uma licença.

 

PerCursos: Comente sobre a emergência de movimentos como Copyleft ou Creative Commons em contraposição ao Copyright.

O movimento Copyleft não é contrário aos direitos autorais, ou pelo menos não todo o movimento (não devemos esquecer que onde existe poder, existe um contra poder). Embora seja um trocadilho, copyleft: cópia esquerda, como o contrário de copyright: cópia direita, está baseado nos direitos autorais; tanto é assim que melhoram os direitos de autor, para que os criadores e usuários tenham controle sobre nossas obras e possamos criar, utilizar e compartilhá-las segundo as condições que decidamos. Neste ponto, poderíamos falar sobre as licenças GNU em computação, fundamentais no software livre, e no âmbito da educação, das licenças Creative Commons, que apresentam seis licenças das quais duas são consideradas como livres e poderiam se encaixar dentro do conceito de copyleft (CC by e CC by-sa).

O Acesso Aberto é um movimento fundamental para o avanço da Ciência que fomenta o acesso e compartilhamento de informação científica. Este movimento se baseia nas licenças Creative Commons e, sem elas, seria muito difícil que pudesse existir.

A meu ver, os professores e alunos deveriam compartilhar suas obras sempre com uma licença Creative Commons. Para isso, simplesmente temos que entrar no site do projeto (https://creativecommons.org/choose/?lang=pt ), escolher a licença que quisermos, e escrever na nossa obra qual é a licença CC utilizada e um link para que se alguém não souber, possa se aprofundar mais no que permite ou não a licença. É uma forma simples e de graça de liberar e fomentar a educação para fazer do mundo um lugar um pouco melhor.

 

Para citar esta entrevista (recomendo ir à fonte original):

MURIEL-TORRADO, Enrique. Informação, ética e tecnologia. Uma entrevista com o Professor Enrique Muriel-Torrado. [Entrevista concedida em 30 de setembro de 2016]. Revista PerCursos. Florianópolis, v. 17, n.34, p. 134 – 140, maio/ago. 2016. Entrevistadores: Daniella Camara Pizarro, Divino Ignácio Ribeiro Júnior e José Eduardo Santarem Segundo.

DOI: http://dx.doi.org/10.5965/1984724617342016134

Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Publicación del libro: “Competência em informação: Políticas Públicas, teoria e prática”

Libro "Competência em Informação"
Libro “Competência em Informação”

Durante el pasado “XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação”, ENANCIB 2016 (Salvador de Bahía, 20-25 de noviembre), se lanzó el libro “Competência em informação: Políticas Públicas, teoria e prática“, organizado por Fernanda Maria Melo Alves, Elisa Cristina Delfini Corrêa (Facebook) y Elaine Rosangela de Oliveira Lucas (Facebook).

Lo primero, y menos importante, decir que es una edición muy cuidada, con una cubierta maravillosa. Sobre las contribuciones de los autores, recomiendo su lectura, pues participan bastantes profesionales con temáticas y perspectivas diferentes y complementarias, con interesantes puntos de vista que enriquecen el debate sobre la Competencia en Información. Este libro posee capítulos en portugués, español e inglés, con un total de 457 páginas.

Es la primera vez que participo en un libro editado en Brasil. En este caso se trata de un capítulo, en español, junto a Juan-Carlos Fernández-Molina, sobre “Hábitos en el uso de la información de los estudiantes universitarios: el caso de la Universidad de Extremadura“, donde se identifican las fuentes de información emplean los universitarios, el uso de obras en papel o digitales, lugares preferidos de estudio, así como algunas de las competencias que poseen o en las que han recibido algún tipo de formación. Los resultados nos llevan a pensar que todavía tenemos mucho trabajo y un largo camino por recorrer, formando a los alumnos sobre el uso de material en línea o adaptando mejor los servicios de la biblioteca a unos usuarios que los perciben como complicados, entre otros.

Actualmente está a la venta en papel a través de la editorial de la UFBA (EDUFBA) por 50 reales (aprox. 14 euros). Más información en: http://www.edufba.ufba.br/2016/11/competencia-em-informacao-politicas-publicas-teoria-e-pratica/

[Cuando esté libremente disponible en formato PDF lo subiré aquí.]

É possível exibir um filme na sala de aula?

Na disciplina (CIN7202) Sociedade da Informação da Graduação em Ciência da Informação da UFSC, assistimos a um filme, um documentário sobre a vida de Aaron Swarz, sobre o qual já falamos no blog e que você pode assistir aqui.

Aaron Swartz
Aaron Swartz. Foto: Wikipédia, CC by-sa 2.0

Durante o documentário os alunos tinham que anotar coisas que não soubessem, pesquisar um pouco mais sobre algumas das pessoas que apareciam, em resumo, aprofundar um pouco mais para conhecer o contexto e a justificativa para compreender os motivos da atuação de Aaron Swartz, e conhecer um pouco melhor a Sociedade de Informação e o ativismo.

Ao finalizar o filme, além das questões que tinham que procurar, perguntei: é permitido o que fizemos hoje aqui? é legal no Brasil exibir um filme como esse que assistimos hoje na aula?

A turma, depois de pesquisar o que dizia a legislação, decidiu perguntar a alguém que soubesse sobre a máteria e enviaram um e-mail a MPLC Brasil (Motion Picture Licensing Corporation), que se apresentam no seu site como “parte de uma rede de empresas de licenciamento de exibições de obras cinematográficas que atua na América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul e está associada à MPLC – International”. Uma das alunas, Bárbara Balbis, foi a responsável de contatar com a companhia, perguntando se era possível a reprodução de filmes em sala de aula.

Segue a resposta da companhia:

Olá Bárbara, bom dia.
[…]
Somos uma rede internacional existente em mais de 20 países que outorga autorizações de locais para direitos audiovisuais há 25 anos e representamos mais de 400 distribuidores. Estamos no Brasil desde 2005 e mais de 800 lugares já possuem a Certificação de Locais para a exibição de obras audiovisuais.

Queremos ajudá-los a organizar este tipo de atividade para o seu projeto. É uma atividade fácil e agradável! Possuímos 2 tipos de autorização: a Guarda-Chuva (local específico) e a Evento Público (vários locais ou local específico).

A autorização Guarda-Chuva MPLC Brasil “Cine Cultural” é válida por um ano e outorga um lugar específico (uma sala ou um auditório), dando direito a exibições de filmes autorizados pelos nossos distribuidores associados (Warner, Sony, Disney, Fox, Paramount, Universal, UIP, entre outros)*, sem cobrança de entrada. Sendo assim, não é necessária uma autorização que inclua a exibição de cada título. Para exibir, basta que o filme tenha pelo menos 3 meses de lançamento no mercado de vídeo doméstico. A autorização Guarda-Chuva da MPLC Brasil tem um baixo custo. É importante lembrar que adquirindo a autorização estará cumprindo o artigo 29 da Lei 9.610/1998, que diz ser necessária a obtenção de autorização prévia do detentor dos direitos do filme.
No caso da autorização Evento Público, é necessária a prévia consulta ao distribuidor de cada título e o valor é calculado de acordo com a quantidade de público esperado para cada exibição.

Respondendo a sua pergunta se é permitido por lei a exibição de filmes (nacionais ou internacionais) em sala de aula, toda exibição fora de casa ( conceito Home Entertainment) necessita de autorização dos detentores dos direitos para ocorrer. Nesse sentido, qualquer exibição complementar através de fonte exibidora como, DVD, BD, Streanming, VOD ( Net Now, SKY, Netflix), download legal e cópias digitais necessita de autorização e recolhimento dos direitos.

Ao adquirir uma obra nesses formatos, o detentor somente permite a exibição sem recolhimento de direitos ocorram dentro de uma residência, com o intuito de entreter os moradores e as exibições públicas, fora de casa, necessitam de uma autorização.

As condições para este tipo de autorização são:

– O serviço de exibições deverá ser inteiramente gratuito, não podendo ser cobrado pela entrada (ticket) ou acesso aos filmes/ sessões.
– A obra escolhida deverá pertencer a um distribuidor associado a MPLC (lista anexada).
– Nossas autorizações são destinadas ao uso de obras audiovisuais em DVD, Blu-ray, cópia digital original que foram comercializados para o mercado de vídeo doméstico (Home Entertainment) e VHS.
– Todos os títulos (filmes, shows, etc) deverão aguardar 3 meses após o seu lançamento comercial de compra ou locação para então serem exibidos publicamente.
– Se título for uma produção nacional, então sua disponibilidade deverá ser consultado a MPLC com antecedência.
– Obras Nacionais da SONY / COLUMBIA estão temporáriamente suspensas.

[…]

Segundo eles “toda exibição fora de casa ( conceito Home Entertainment) necessita de autorização dos detentores dos direitos para ocorrer“. Além disso é preciso cumprir uma série de condições: não ter fins comerciais, que sejam obras do catálogo que eles representam, etc.

O e-mail continua oferecendo dados sobre o procedimento de aquisição e solicitando os dados precisos para o cadastro e a lista de distribuidores associados, finalizando com uma educada despedida do comercial.

A resposta parece seguir a tendência atual da indústria cultural e do entretenimento, que para reproduzir um filme completo em sala de aula, temos que pagar independentemente dos fins educacionais. As associações arrecadadoras de direitos autorais do setor audiovisual, oferecem licenças individuais e guarda-chuvas para que os interessados em exibir filmes possam conseguir sua licença, logicamente, pagando.

Na verdade, a pergunta tinha truque. Assistimos a esse filme por ter uma licencia Creative Commons (Public Domain 1.0). Isto é, um filme que legalmente podemos fazer download, copiar, compartilhar ou assistir na aula sem problemas.

A legislação brasileira (lei 9.610) não ajuda muito aos professores, pois lendo as limitações e exceções (Capítulo IV, Das Limitações aos Direitos Autorais) é complexo saber se podemos passar um filme na aula ou não.

Da mesma forma que o movimento de Acesso Aberto luta pela liberação da informação científica e se serve das licenças Creative Commons, devemos lembrar que qualquer obra pode ser licenciada, como uma música ou também um filme. Este tipo de obras não oferecem tantos problemas como as que tem copyright, pois não vai ter problemas por exibir na sala de aula.

Compreendem agora a importância de licenciar nossas obras com licenças Creative Commons?

Semana Acadêmica Biblioteconomia 2016

Entre os dias 11 e 15 de abril de 2016 a UFSC acolheu a II Semana Acadêmica de Biblioteconomia, que levava por título “Biblioteconomia Social: a Competência Informacional e a Mediação a Leitura“.

Em primeiro lugar gostaria de reconhecer o excelente trabalho de organização realizado pelos alunos da faculdade articulados através do seu Centro Acadêmico (CAB http://cabufsc.blogspot.com). Um exemplo tanto para os alunos, quanto para os professores, de que com esforço e interesse é possível conseguir. Parabéns. 🙂

No evento, fui convidado a ministrar um minicurso (workshop) sobre apresentações públicas, onde tentamos resolver dúvidas e mostrar algumas questões recorrentes e simples de resolver, e também falamos sobre a linguagem corporal, oral, entre outros.

Na noite de quinta-feira participei junto com a professora Elisa Delfini Correa (@elisadel) de uma mesa redonda onde falamos de mídias sociais e direitos autorais e apresentamos uma série de questões, nem sempre bem resolvidas, relacionadas com o copyright, compartilhamento de materiais na internet, etc. O evento foi coberto pela TV UFSC, incluindo uma pequena entrevista.

Na entrevista tentei responder algumas questões relacionadas à autoria das obras, enquanto a professora Elisa falou sobre a privacidade e o rastreio de nossas atividades na rede.

poster-semana-academica-biblioteconomia
II Semana Acadêmica de Biblioteconomia – Biblioteconomia Social: a Competência Informacional e a Mediação a Leitura

E você, participou do evento? O que você mais gostou?

Para saber mais:

Facebook do evento: https://www.facebook.com/semanaacademicabiblioufsc/

El problema de los Ebooks y las licencias de acceso

Los libros electrónicos o digitales (ebooks), como veíamos en “Libro electrónico (ebook), préstamo en bibliotecas y copyright“, conllevan una serie de problemas a diferencia del libro en papel.

Si bien no es nuestro objetivo desprestigiar el ebook, que tiene sin lugar a dudas muchos beneficios, como su coste, facilidad de transporte, posibilidad de ser usados multiplataforma, etc., también es cierto que presentan conflictos debido a los derechos de autor.

Recientemente la compañía Nook ha decidido salir del mercado de Reino Unido y ha publicado en su web (http://www.nook.com/gb/notice) este comunicado, donde destacamos la parte clave:

Dear Reader,

We have an important change to the NOOK service to announce.

Effective from March 15, 2016, NOOK will no longer sell digital content in the United Kingdom. The NOOK Store on NOOK devices sold in the UK, on the UK NOOK Reading App for Android, and at nook.com/gb will cease operation.

To meet your digital reading needs going forward, NOOK has partnered with award-winning Sainsbury’s Entertainment on Demand to ensure that you have continued access to the vast majority of your purchased NOOK Books at no new cost to you. Further instructions on how to transfer your NOOK Books to a new or existing Sainsbury’s Entertainment on Demand account will be sent to you by email over the coming weeks. Please ensure that you look out for these emails as they will contain important information on what to do next.

Your action is required. Visit our FAQs page.

We thank you for your patronage and are working closely with Sainsbury’s to make this transition as smooth as possible.

Sincerely,

The NOOK Team

Es decir, han llegado a un acuerdo con otra compañía para asegurarse que podamos continuar teniendo acceso a la mayoría de los libros que legalmente compramos (que no significa que sean todos). Con la delicadeza de no imponer un coste adicional para seguir disfrutando de nuestros libros, porque podría suceder que tuviésemos que volver a pagar por ello.

Cuando compramos un e-book, no compramos un archivo o una obra, sino una licencia, un permiso para acceder a esa obra con una serie de condiciones.  Por tanto, no tenemos los mismos derechos sobre un libro en papel, que podríamos vender o compartir con otras personas, que sobre un libro electrónico. Generalmente la licencia de acceso que adquirimos y su correspondiente DRM (sistema de protección) no permitirá llevar a cabo ninguna de esas acciones.

Recuerda:

No, tu ebook, no es tuyo.

Y a ti, ¿te ha sucedido algunas vez algo parecido?

Para saber más:

No more Nookie for Blighty as Barnes & Noble pulls out. http://www.theregister.co.uk/2016/03/04/barnes_and_noble_pulls_out_of_blighty/

“No leas el Diario de Ana Frank”, cosas del Copyright

En el blog  Tramullas.com leía esta historia sobre uno de los muchos problemas con los derechos de autor:

No leas el Diario de Ana Frank: otro injustificado abuso del copyright

Desde mi punto de vista no diría: “No leas el Diario…”, sino “No compres el Diario..”, puedes tomarlo prestado de una biblioteca o comprarlo de segunda mano. 😉

Y para aquellos que no lo sabían, así funciona el mundo del copyright.

 

¿Tiene copyright la Wikipedia?

Hablando por Twitter comentaba que la Wikipedia no tiene copyright. Pero ¿es eso cierto? ¿Significa entonces que es una obra de dominio público?

Voy a tratar de simplificar un poco para hacer una entrada breve, pero comencemos por el principio.

La Wikipedia es una obra que tiene una licencia Creative Commons (CC), en concreto: Atribución – CompartirIgual 3.0 Unported.

Las licencias CC están basadas en la existencia de la legislación sobre propiedad intelectual, que para acortar y aunque no es exactamente lo mismo, denominaremos a partir de ahora copyright. Es decir, CC funciona sobre la base de la existencia del copyright tradicional.

Uy, ¿copyright “tradicional”? ¿Es que existen varios tipos?

No. En la literatura sobre la materia en ocasiones se habla de “tradicional” para hacer referencia al copyright tal y como siempre lo hemos conocido, es decir ese: “todos los derechos reservados”.

Cuando escribimos un libro con copyright, no decidimos qué derechos cedemos y cuáles nos reservamos, por defecto son todos reservados.

¿Y que pasa con las licencias CC?

Podemos simplificar afirmando que son un tipo de contrato que nos permiten, como autores, decidir qué derechos cedemos y cuáles nos reservamos, es decir flexibiliza el “tradicional” copyright dejando algunos de los derechos más importantes en manos del autor, por ejemplo podemos permitir la reproducción restringiendo los usos para fines comerciales.

Podríamos ver las licencias CC desde un punto de vista conceptual como una capa que se añade sobre el copyright. Una capa que varía sus propiedades, dotándolo de asombrosos superpoderes ;)

Entonces, ¿la Wikipedia tiene copyright?

Desde mi punto de vista no se puede decir que la Wikipedia tenga copyright por el mero hecho de tener una licencia CC. Lo que debemos de decir es que tiene una licencia CC.

De la misma forma sería absurdo afirmar que los proyectos copyleft “tienen copyright” porque estén basados en él (en este caso, para oponerse en algunos de sus aspectos fundamentales).

Un ejemplo

Ya hemos visto que la Wikipedia tiene una licencia de atribución y compartir igual. Por su parte el diario en línea ElPais.com está bajo copyright.

Imaginemos que tengo una panadería y quiero regalar mañana una copia de la Wikipedia impresa con la barra de pan, ¿podría hacerlo?

Técnicamente tendrás algunos problemillas para encontrar tal cantidad de papel e imprimirlo, ecológicamente parece que estás creando un desastre medioambiental, pero la licencia sí lo permite.

¿Y si quiero regalar una copia de ElPais.com?

Me temo que no. Aunque ambas operen sobre las mismas leyes de propiedad intelectual no significan que sean lo mismo. De ahí la afirmación de que la Wikipedia no tiene copyright y además creo importante remarcarlo, lo que tiene es diferente, es una licencia CC que te permite llevar a cabo una serie de acciones como reproducir una obra, compartirla, etc., sin necesidad de solicitar permisos.

¿Pero entonces la Wikipedia está o no está dentro del dominio público? ¿Puedo hacer con ella lo que me da la gana?

No, no todo es blanco o negro. No consiste en “si no tiene copyright entonces es de dominio público”, existen colores intermedios. La enciclopedia posee una licencia con “algunos derechos reservados” que prevalece sobre el “todos los derechos reservados”.
Y no, tampoco podemos hacer todo lo que nos de la gana, por ejemplo no la podemos plagiar. Para usarla hay que respetar la licencia, es decir, mencionar la fuente y compartir la información con una licencia similar o equivalente, nada más.

Si quisiéramos usar de la misma forma una obra con copyright, deberíamos comenzar por contactar con los responsables de los derechos de autor y a partir de ahí, tratar de negociar cuánto vamos a pagar, dónde la vamos a reproducir, fines y un largo etcétera.

 

Estos son algunos de los motivos por los que pienso que es importante diferenciar entre obras con copyright y obras con CC, pues estas licencias son una herramienta excepcional para la literatura científica y la educación. Ya sabemos que por Twitter no es fácil argumentar porque no tenemos espacio suficiente, pero en el blog al menos podemos intentarlo.

Como siempre son bienvenidos los comentarios, críticas, sugerencias…

Libro electrónico (ebook), préstamo en bibliotecas y copyright

the-right-to-e-read-your-library_200x200

 

Hace unos días me preguntaba Santiago Martín en Twitter mi opinión sobre la campaña de EBLIDA para promover el libro electrónico en el préstamo bibliotecario:

@enriquemuriel ¿Conoces la campaña de EBLIDA por el derecho a leer libros electrónicos? Me gustaría saber tu opinión. http://t.co/OjRtwuJ9p2

— Santiago Martín (@_stmartin) abril 29, 2014

La campaña EBLIDA a favor del ebook en la biblioteca

Lo cierto es que no había leído mucho sobre el asunto, así que decidí echar un vistazo a la web de EBLIDA (European Bureau of Library, Information and Documentation Associations), donde también podemos deducir por los carteles en español que FESABID apoya la iniciativa. En su apartado “What we want” listan sus 4 objetivos principales. La mayoría estos puntos parecen razonables: tener la posibilidad de que las bibliotecas puedan disponer de los últimos libros electrónicos igual que ocurre con los de papel o poder comprar los ebook a un precio aceptable y no la estafa generalizada que existe en la actualidad, son reclamaciones loables. De la misma manera el último punto, el “acceso de todos los ciudadanos a los libros digitales“, es tan aceptable como los primeros.

Ahora bien, la tercera de sus peticiones la he separado del resto, ya que es un punto con el que no estoy de acuerdo y que considero contrario a la filosofía de las bibliotecas. Dice:

We want Authors to receive fair remuneration for the lending of e-books to the public. Currently authors receive no remuneration for the loan of e-books by libraries in most Member-States.

Proclaman un remuneración a los autores por el préstamos electrónico, entiendo que al margen del pago a los autores cuando se adquiere la obra. Y me pregunto ¿por qué un autor debe recibir también una compensación porque un libro se preste en una biblioteca? Si mal no recuerdo las bibliotecas son eran las democratizadoras del acceso a la información, cuyo fin cultural en beneficio de sus ciudadanos, blablablá… (búsquese literatura al respecto). Para llevar a cabo la gestión, difusión y conservación de las obras las bibliotecas necesitan infraestructuras, materiales y por supuesto, profesionales de la información. Todo esto lo pagamos entre todos, porque siempre se ha concebido a las bibliotecas como un oasis cultural, un lugar donde independientemente del poder adquisitivo, raza, lengua, religión… todos tenemos acceso a los libros y a la cultura.

Las bibliotecas conservan ejemplares que las editoriales desechan una vez pasada la fiebre de un autor, gestionan colecciones que ya no son rentables, invierten esfuerzos (tiempo y recursos) en que las obras no desaparezcan para que todos podamos tener un poco más cerca a autores clásicos y contemporáneos que conforman la cultura de nuestra sociedad en el pasado y en el presente. Es decir, estos centros pagan con sus esfuerzos la correspondiente tarifa “moral” a los creadores, pues gracias a las bibliotecas mucha más gente tiene acceso a sus obras, manteniendo permanentemente abierto un catálogo que las editoriales no están interesadas en costear. De nada, autores.

Por otro lado mucho se ha escrito sobre si este hecho resta beneficios a los autores, aunque para qué engañarnos, de incidir negativamente sobre unos beneficios, serían sobre el de las editoriales, que son las grandes beneficiadas en estas cuestiones.

Algunos pensamos que estar en la biblioteca es un privilegio y como tal, no se debe pagar al autor por conservar sus obras, algo que podríamos enlazar con la plataformas contra el préstamo de pago http://noalprestamodepago.org/descarga-de-archivos/.

La paradoja del libro electrónico

Ahora bien, me gustaría que nos paráramos a reflexionar sólo un momento sobre el absurdo (desde el punto de vista técnico) del préstamo electrónico.

La gran ventaja del medio digital es la copia perfecta. Podemos reproducir un bien cultural sin perder calidad, un simple control+c / control+v nos permite duplicar una canción, una película, un libro. Es un sueño hecho realidad, ¿o no?

El problema del medio digital (para las editoriales) es precisamente este, la copia perfecta. La facilidad para duplicar archivos idénticos al original provoca que las editoriales se nieguen al préstamo de libros electrónicos. Y es que préstamo y electrónico son dos conceptos opuestos, por lo que pudiendo beneficiarnos de una copia exacta se incluyen mecanismos artificiales para evitar esta perfección. Extraño ¿no?

Este es el motivo por el que las pocas iniciativas de préstamos se vean sometidas principalmente a: 1)El DRM, un tipo de software diseñado para desactivar la obra (permítanme la expresión), limitándola en varios sentidos: el soporte sobre el que puede ejecutarse, un tiempo determinado, etc. O también 2)El préstamo ligado al soporte, es decir, el préstamo de un ebook unido al dispositivo físico, un lector de ebooks como el Kindle por ejemplo. No muy lógico cuando la ventaja del libro electrónico es la independencia del soporte.

Conclusión

Esta es una tarea complicada. Existen varias propuestas del estilo de “Spotify para libros” que parecen apuntar a un modelo de negocio con posibilidades de dar frutos. No dispongo de los argumentos necesarios para valorarlo, pero sin duda, nuevas ideas y proyectos son bienvenidos.

Me parece muy loable el intento de EBLIDA por favorecer el préstamo electrónico, pero no estoy de acuerdo con que se deba re-remunerar al autor, pues ya se hace cuando se adquiere la obra. Como afirman en “The Right to E‐read Statement An E‐book policy for libraries in Europe“, es cierto que esta ausencia de ebooks en la biblioteca podría llevarnos a la situación de que los editores tengan de forma indirecta” …la capacidad de decidir sobre los contenidos digitales en las bibliotecas”, con lo que la bibliotecas no pueden continuar garantizando “el libre acceso a los contenidos, la información y la cultura de todos los ciudadanos europeos”, pero ¿a qué precio evitamos esta situación?

Entiendo la postura de EBLIDA, pero desde mi punto de vista ceder a la presión de la industria pasando por caja, no creo que sea la mejor forma de solucionar el problema, ni por el bien de los bibliotecarios ni por el de los usuarios. El autor recibe su compensación en el momento de adquisión de la obra y afortundamente para los creadores, no deben hacerse cargo de los costosos gastos de las bibliotecas que protegerán sus obras cuando las editoriales las desechen. Como decía antes, de nada.

Para saber más:

Por qué los libros electrónicos no se prestan en las bibliotecas. http://www.eldiario.es/turing/prestamo-ebooks_0_252675370.html

EBLIDA The right to e-read. http://www.eblida.org/e-read/home-campaign/

Mamá, ¡han “pirateado” mi Tesis Doctoral! (Parte II)

Hace un par de semana escribía que mi Tesis doctoral cedida voluntariamente al Acceso Abierto con una licencia CC by-nd-nc (no permite fines comerciales), estaba siendo vendida sin mi consentimiento, por una librería que decidió violar el fin no comercial de la licencia incluyéndola en su catálogo [Mamá, ¡han “pirateado” mi Tesis Doctoral! (Parte I)].

Tras esta humilde denuncia pública (en tono de humor, por cierto), procedí a contactar con aquellos que considero tienen alguna relación con mi reclamación.

Mi solicitud es sencilla y fácil de entender: que se retire de inmediato del catálogo de la librería no sólo mi obra, sino todas aquellas obras licenciadas con CC “no comercial”, porque su inclusión en el cátalogo es según afirma la licencia CC by-nc-nd una violación de los términos señalados en negrita:

  • Usted puede reproducir, distribuir o comunicar públicamente la obra o prestación solamente bajo los términos de esta licencia y debe incluir una copia de la misma, o su Identificador Uniforme de Recurso (URI). Usted no puede ofrecer o imponer ninguna condición sobre la obra o prestación que altere o restrinja los términos de esta licencia o el ejercicio de sus derechos por parte de los concesionarios de la misma. Usted no puede sublicenciar la obra o prestación. Usted debe mantener intactos todos los avisos que se refieran a esta licencia y a la ausencia de garantías (…)
  • Usted no puede ejercitar ninguno de los derechos concedidos en la sección 3 anterior de manera que pretenda principalmente o su actuación se dirija a la obtención de un beneficio mercantil o una contraprestación monetaria (…)
  • Si usted reproduce, distribuye o comunica públicamente la obra o la prestación, o una colección que la incorpore, debe mantener intactos todos los avisos sobre la propiedad intelectual e indicar, de manera razonable conforme al medio o a los medios que usted esté utilizando (…)
  •  …Sin un permiso previo por escrito, usted no puede afirmar ni dar a entender implícitamente ni explícitamente ninguna conexión, patrocinio o aprobación por parte del titular originario, el licenciador y/o las partes reconocidas hacia usted o hacia el uso que hace de la obra o la prestación (…)

Incluir en el catálogo de una librería, sin pedir permiso, obras de acceso abierto licenciadas así contraviene la licencia. Para recordarlo una vez más, una licencia es un tipo de contrato entre partes.

El caso es que intento ponerme en contacto con varios intermediarios, aquí sus respuestas.

 

Confederación Española de Gremios y Asociaciones de Libreros (CEGAL)

La librería pertenece a esta entidad, así que les expongo el caso (blablablá) y les remito unas cuestiones, por si pueden ayudarme:

¿Puede una librería de su red poner a la venta una obra de acceso abierto?

¿Tienen implementado algún procedimiento de reclamación para estos casos?

¿Este tipo de ventas también recauda la parte proporcional de derechos de autor gestionada por CEDRO?

¿Existe alguna forma de conocer si la librería ya vendió algún ejemplar?

(…) al parecer esta librería tiene numerosas obras de dominio público a la venta dentro de su catálogo, por lo que ¿sería posible saber si han vendido alguna de estas obras?

Su respuesta es que si mi tesis aparece en su base de datos, es únicamente porque he solicitado el ISBN. (…) Y que al ser un documento público se sube a la web: “sólo por este motivo”.

Vuelvo a remitirles otro correo, pero sin respuesta. Y con sus palabras entiendo que este comportamiento les parece algo normal.

Agencia Española del ISBN (agenciaisbn.es)

Es la entidad encargada del gestionar este número en nuestro país. El ISBN es el código que se le asigna a un libro, como el DNI  pero para libros.

Le expongo el caso, pero como era previsible afirman que el ISBN es un mero código comercial, que ese asunto debo aclararlo con mi editorial, la Editorial de la UGR. Volví a contactar con ellos más adelante me ratificaron algo que sabía, que las licencias CC y el ISBN son compatibles. Al menos el responsable de estas cuestiones fue amable.

Librería “Pirata”

Me enseñaron en el cole que se decía el pecado pero no el pecador, así que por ahora seguiré manteniendo su nombre en secreto. Para que no haya duda, esta es la librería que vende mi libro sin permiso.

Les expliqué el caso emplazándoles las mismas cuestiones que comentaba anteriormente, me contestaron muy amables con un PDF escrito a otra persona el 20 de mayo de 2013 (¿?), donde decía abiertamente que todos los libros que se dan de alta en el ISBN ellos los dan de alta en su web “y en la base de datos de casi todas las librerías”. Añadiendo que si algún cliente les pide un libro intentan contactar con el autor y en el caso afirmativo se realiza el pedido.

Concluyen con que ya han procedido a borrar mi libro de su web. Algo mágico, porque en ningún momento les dije ni mi nombre ni el de la obra.

Les volví a enviar otro correo, no sin antes señalar que la carta escrita hacía 8 meses a otra persona no aclaraba mis dudas. Explicándoles de nuevo que es una violación de los término de la licencia de la obra…

por qué motivo toman obras de Acceso Abierto y las ponen a la venta, teniendo en cuenta que algunas de las obras, como es el caso, está licenciada con una licencia Creative Commons: Reconocimiento-NoComercial-SinObraDerivada 3.0 (CC BY-NC-ND 3.0). O para ser un poco más precisos, con una licencia que dice exactamente: “licenses prohibit uses that are ‘primarily intended for or directed toward commercial advantage or monetary compensation’”, es decir que esta licencia prohíbe muy claramente el uso destinado a obtener una ventaja comercial o una compensación monetaria.

Con ello, me gustaría recordarle que una licencia CC es un tipo de contrato entre partes, con las mismas consecuencias legales que un contrato clásico. Para saber más, es interesante: “Primera sentencia sobre licencias CC”  o un ejemplo de sentencia donde la reclamación se basa en justo lo que le comento “el incumplimiento de las obligaciones de la licencia”.

Ante el cual me respondieron muy amablamente, lo mismo que en el PDF citado anteriormente, sólo que copiaron y pegaron en el cuerpo del correo electrónico incluyendo la fecha actual.

Un derroche de medios y de tiempo por su parte. No viviré lo suficiente para agradecerles semejante esfuerzo.

Era previsible que a la librería le diera absolutamente igual todo esto, ellos capturan datos sin importarles nada más y los añaden a su base de datos para vender un producto que no puede venderse.

Conmigo mismo

Uno tiene que pensar de vez en cuando, aunque sólo sea por engrasar las tuercas del cerebro, y meditar si esto merece la pena, que porqué no pido que retiren mi obra y punto, para qué te metes en jaleos, total si tú entregas tu trabajo gratis que más te da, etc., etc.

Pero como buen necio, preocupado no por mi obra, que en realidad no es el motivo de hacer todo esto, sino por las violaciones indiscriminadas de licencias CC en material de Acceso Abierto, trabajos realizados por sufridos (algunos de ellos) investigadores que invirtieron mucho tiempo (algunos de ellos) y esfuerzo (ni te cuento, algunos de ellos también) y que vengan terceros a apropiarse injustamente de ellos no está bien…

Imaginemos por un momento que soy un gurú.

Guru_Gobind_Singh_is_released_from_Gwalior_Fort_by_Jahangir's_order_200pxWikipedia Gurú Hargobind

Sí bueno, pero no un gurú de estos, sino un tipo importante del mundo del Open Access, un referente de esos que cuando en una conversación medio culta dices, “no, porque según afirma Fulanito…”. Imaginemos por un momento que soy ese Fulanito el Gurú del Acceso Abierto. Escribo una tesis a favor de compartir obras, del copyleft, de utilizar licencias CC, me dedico a escribir artículos recalcando los beneficios de todo esto, la importancia que tiene para la producción científica, su visibilidad, para el desarrollo del corpus científico, técnico e incluso el desarrollo social en países con menos recursos… Y ahora navegando por la web te encuentras que el tal gurú Fulanito es un vendido, que en realidad tiene su tesis en una librería para quien la quiera comprar y encima !barata! En un caso así, ¿crees que perjudicaría a la reputación y la imagen de Fulanito?

No soy un gurú, pero defiendo que las cosas que un autor decide poner gratis o libres o como desee, permanezcan así, de manera que si sólo hay que respestar un par de condiciones para utilizar obras que han costado mucho hacerse, se respeta y no pasa nada.

A menudo leerás cosas de piratería y de autores que defienden poder ganar dinero con sus obras. Me parece bien, cada uno hace lo que quiere. Yo defiendo algo que es de todos y además gratis, como mi Tesis, para que continúe siéndolo y que nadie intente aprovecharse de ello para obtener un beneficio económico al que he renunciado voluntariamente, pues para mí el verdadero beneficio es compartir mi producción científica (humilde, escasa y con mucho que mejorar, sí, no seamos crueles, pero mía).

Bueno, que se conoce que tuve algún transtorno transitorio y decidí seguir preguntando, ahora a mi editorial.

[Si ya estás aburrido te recomiendo que saltes a las frases en negrita]

Editorial de la UGR (editorial.ugr.es)

Esta es la editora de las Tesis de la Universidad de Granada, entre otras obras.

Por los años que pasé estudiando en esta Universidad, diría que es está bastante implicada en las cuestiones de Acceso Abierto. Cuando estudiaba en la facultad al menos, había muchas charlas, cursos, es decir se fomentaba a menudo el acceso abierto y las licencias bajo las cuales se “liberan” los trabajos.

En mi primer correo vuelvo a exponerles la situación, haciendo referencia como decía antes, a la gravedad de la cuestión: la UGR pide los ISBN para Tesis doctorales, los investigadores que usen licencias CC no comerciales las “regalan” para que todo el mundo pueda beneficiarse de su trabajo y hay una librería que se aprovecha.

En la editora me dicen, tras algunos problemillas para poder hablar sobre el tema, que las librerías recogen información del ISBN y que en caso de que alguien quiera el libro, que contactan con ellos.

Me parece muy bien, el inconveniente es que viola la licencia CC. A lo cual responden que cuando le asignan el ISBN a la tesis es un ISBN comercial y “no un ISBN llamado de concurso de méritos” (ejem).

Uy, el asunto se complica por momentos. En el siguiente correo le explico que ambos procedimientos, asignar un ISBN comercial y licenciar con CC son procedimientos distintos y perfectamente compatibles, y que el problema es que una librería viola la licencia de muchas obras de su editorial (¿lo he dicho antes?).

En otro mensaje me dicen que “podríamos no asignar ISBN y poner las tesis en abierto bajo las licencia Creative Commons como nos dice el Real Decreto 99/2011, de 28 enero, art. 15, punto 5.(BOE n. 35, 10 de febrero de 2011)”, ¡ay, Señor!, para repetirle lo mismo y recibir otro mensaje explicándome de nuevo su procedimiento de solicitud de ISBN e invitándome a, si estoy interesado, retirar el ISBN de la Tesis, porque hay dos tipos de ISBN (…)

El problema debe ser mío, hay algo que me estoy perdidiendo y nadie me ha avisado, no entiendo nada, mezclando asuntos de los dos tipos de ISBN, que me parecen muy bien, de si quiero retirar mi ISBN (¿por qué?), dando la sensación de que no puede coexistir este numerito con los fines no comerciales… cosas un poco extrañas.

Procuro aclarar ideas y vuelvo a enviar un correo, para en su respuesta recordarme que la librería “publicita los libros que aparecen en la agencia”. Efectivamente, eso sabía desde el primer momento y ese es el motivo de mi primera comunicación, esa “publicidad” es el problema, puede considerarse que inclusión en el catálogo es una violación de la licencia por lucro indirecto. Tras recordarles esto, me contestan finalmente con un:

Efectivamente algunas veces ocurren esta cosas, saludos

Y ahí me callo, no tengo nada más que decir, sólo despedirme, despedirme como lo hacen los perdedores, pidiendo perdón por no ver antes su error. Aquí mis últimas palabras:

Buenos días,
mis disculpas por todo este asunto, pensé que la Editora de la UGR tenía interés en defender los derechos de los creadores de obras que edita o de defender el acceso abierto y gratuito que tanto promulga la universidad.

Un saludo, Enrique.”

Amigos, el Acceso Abierto sólo tiene un problema, que nadie lo defiende ni moverá un dedo por defenderlo. Debo reconocer que he procurado ponerme en contacto con personas vinculadas a bibliotecas, repositorios que usan acceso abierto, algún proyecto también, pero no sé cómo continuar. A no ser que… ¿hay algún abogado en la sala?

Mamá, ¡han “pirateado” mi Tesis Doctoral! (Parte I)

En mi regreso al maravilloso mundo de la investigación  me ha sucedido algo extraño, que está entre lo curioso y lo surrealista.Navegando por internet para encontrar ideas o en realidad buscando un poco de serendipia, si es que ésta se puede buscar, acabé en una página con un interesantísimo trabajo (ejem) sobre una materia que me gusta especialmente. Como muchos sabréis en el mundo de la investigación algunos artículos y libros son gratis y otros, hoy en día mayoría, son de pago, como en el caso que os comento.

Resulta que el sitio donde llegué a parar es una librería malagueña y la obra a la que me refiero no es ni más ni menos que mi Tesis doctoral. Sí, tienen a la venta mi Tesis doctoral en una librería sin mi permiso.

Tesis_venta_libreria_blur

Ficha de la Tesis en la librería. Pinchar para ver con mejor calidad.

Es un caso realmente curioso porque la obra está licenciada con una licencia CC algo restrictiva sinceramente, ahora lo hubiera hecho con una licencia más abierta. Pero a lo que voy, es una licencia CC (by-nd-nc), es decir que el uso de esta obra requiere citar al autor  (algo común), no admite obras derivadas (un asunto que no viene al caso) y no puede emplearse con fines comerciales, muchos menos ponerla en venta.

Tengo una galería de fotos en flickr (más divertida que la Tesis, para que nos vamos a engañar) y alguna vez a través de webs que hacen búsqueda por fotos he descubierto que las han usado sin respetar del todo la licencia. Algunos medios de comunicación pequeños han empleado fotos que acostumbro a licenciar sin fines comerciales, para ilustrar sus noticias. Esto es algo que contraviene el uso de la licencia porque son webs donde existe lucro. Pero como soy mal fotógrafo hasta me ha hecho ilusión que alguien piense que una foto de mi autoría merezca ser utilizada para en una noticia.

Conociendo la realidad en internet, que es que cuando uno sube una obra a la red, sea foto, artículo, comentario, chiste, libro o cualquier otra cosa pierde el control sobre la obra, me llama mucho la atención que se ponga a la venta una Tesis que voluntariamente he cedido al Acceso Abierto para que cualquier interesado pueda utilizarla.

Si bien es cierto que en la librería, en la parte de abajo de la ficha del libro tienen un mensaje que dice:

No todos los libros están en existencias en la librería. Y algunos (pocos) no están en ventas. Antes de venir confirme su disponibilidad y venalidad.”

Es igualmente cierto que en su catálogo aparecen muchas obras libres y gratuitas, con un precio puesto al lado. Es decir, introducen en su catálogo una obra (sobre la que no tienen derechos) y le ponen un precio, con la confusión que puede crear en personas que no sepan que se la pueden descargar es gratis y que no pueden venderla. ¿No parece una buena práctica empresarial, verdad?

Ante esto me surgen algunas dudas: ¿Cobrarán la parte de derechos de autor que gestiona CEDRO? ¿Cuántos documentos de Acceso Abierto habrán vendido?¿Cuánto dinero habrán ganado?¿Por qué ofertan en el catálogo un producto que no tienen y que no les pertenece?

Y sobre todo y más importante, ¿mi gran trabajo por sólo 25 euros? :P

Bromas a parte, me he puesto en contacto, primero con la red de librerías a la que pertenecen, CEGAL, preguntándoles lo siguiente:

13/01/2014

Buenos días, he visto que una librería andaluza asociada a su red vende sin permiso mi tesis doctoral.

Me gustaría saber si tienen algún procedimiento legal establecido para estos casos. Es algo extraño que una tesis de acceso abierto sea ‘apropiada’ por un establecimiento para venderla por el precio que consideran oportuno. Por otro lado también me gustaría saber si existe algún procedimiento para saber si ya vendieron algún ejemplar.  Muchas Gracias”

A lo cual los señores de CEGAL han respondido esto:

15/01/2014

Muy buenos días,

Sólo aparecerá en Todos tus Libros, si su tesis tiene nº de ISBN, que como dato público está accesible.
Si necesita más información, estamos a su dipsosición.

Un saludo,

Permitidme que exprese mi estupor con la contestación, no porque esté bien o mal, sino porque no la entiendo. El ISBN no tiene nada que ver para que alguien oferte mi trabajo en su catálogo. Pero bueno, teniendo en cuenta que mi primer correo era breve, es posible que no me haya expresado adecuadamente y no hayan entendido mi petición, por lo que hoy remitiré un nuevo correo explicando mejor el caso. Pero ahora he decidido enviarlo a todas las redes a las que pertenece la librería y a la librería en cuestión, a ver que me dicen.

En  la segunda parte veremos el mensaje que les he enviado así como sus respuestas. Si os interesa el asunto, ¡seguid atentos!

 

Para saber más:

Los derechos de autor y la enseñanza en la universidad : el papel de la biblioteca universitaria. http://digibug.ugr.es/handle/10481/26409

Nota: escribo “Tesis” con mayúsculas, porque me costó mucho tiempo y esfuerzo, así que para mí es muy importante. ;)