A Vegetariana, livro da autora coreana Han Kang, é uma obra inquietante que mergulha nas profundezas da mente humana de forma avassaladora.
É a história de uma mulher que decide parar de comer carne e desencadeia uma série de eventos perturbadores na sua vida e dos familiares próximos. Nos faz questionar os limites da identidade e da liberdade individual, além de nos aproximar a uma cultura coreana, onde o forte machismo e os papeis de gênero são muito marcantes.
O livro me fez duvidar em vários momentos se era uma ficção científica ou terror, ficando na beira entre estilos literários enriquecendo as dúvidas do leitor, que segue a narrativa da voz de três personagens, o marido, o cunhado e a irmã da protagonista.

Com todas as licenças poéticas que os autores tomam para fazer o que quiserem com suas histórias, a única que não entendi e por quê o título é A Vegetariana, quando desde o meu ponto de vista fica bem claro que a protagonista rejeita todo tipo de alimento de origen animal, virando vegana.
Este livro, junto com Klara e o Sol de Ishiguro e a Vida não é útil de Krenak, me estão ajudando a relembrar a importância de ler literatura de outras culturas e aproveitar o prazer da leitura para expandir a percepção de nosso universo.
Com uma prosa poética e imagens vívidas, Han Kang nos leva por um vendaval de emoções, deixando-nos impactados e reflexivos. Uma leitura intensa e provocativa que não deixa indiferente.
Me parece um daqueles livros binários, que você ama ou odeia, e vou optar por ser um dos primeiros.